sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Educação... "Ou se tem ou não se tem"!!

Entre as atividades do cobrador esta a limpeza e conservação do interior do coletivo.
É inacreditável o que se varre de dentro do ônibus no final da jornada. O que era pra ser somente terra, porque é claro que é inevitável que esta venha nos calçados dos passageiros, vergonhosamente varre-se papéis de bala, cascas e sobras de frutas, copos descartáveis, sacos de salgadinhos, sacolas, etiquetas de roupas, embalagens de picolé e sorvete, latas de cerveja e refrigerantes dentre outras imundícies; isso quando não são arremessadas pela janela em plena via pública.
Onde estão a educação, os bons costumes???
Todos os coletivos são portadores de duas lixeiras, uma em cada porta. Não podemos e nem devemos criar garabulhos no trabalho, porém é peremptório que ao vermos tais ações que seja feita a ilidição para, pelo menos tentar inibi-las.
Quando vejo algum passageiro largar lixo no chão levanto-me do meu lugar e simplesmente com o olhar esfíngico e reprovador, sem uma palavra, junto o lixo e levo até a lixeira, esses como resposta dirigem outro olhar vulpino e apático mas com certeza envergonhados. Talvez aprendam os bons costumes sendo tolhidos desta forma, que, com parlengas não seria passada a ideia.
Uma colega me contou que certa vez uma senhora utilizou uma sacola plástica para que seu filho vomitasse pois este estava passando mal, algo comum em crianças dentro do ônibus, louvável, perfeito,pior se fosse no chão e/ou demais assentos. Porém ao levantar-se a senhora deixa a sacola com todo seu conteúdo amarrada no banco, a colega a interpela e indaga se ela irá mesmo deixar a sacola ali. A senhora pega e direciona-se a porta de saída e ainda cogita a hipótese de colocar na lixeira do ônibus, no que a colega novamente se dirige a ela e solicita que leve a sacola e a descarte em outro local.
Onde estão a noção das coisas; o bom senso das pessoas??

Lei 1390/51 X Lei 10741/03

À nossa sociedade urge o respeito ao semelhante... mas a vida real... ah! a vida real!...
Um colega me relatou este acontecimento que boquiaberto, atoleimado, indignado eu a transcrevo;
Motorista pára o coletivo no corredor de ônibus em frente ao Hospital de Pronto Socorro, após subir todos os passageiros o cobrador o avisa para que feche a porta para que siga a viagem. Este não arranca e observa "algo" pelo retrovisor; devido a demora, isto chama a atenção do cobrador e dos demais passageiros.
O motivo pelo qual ele esperava era uma senhorinha idosa, mancando, ostomizada e visivelmente debilitada que havia feito sinal ao ônibus.
Louvável.
Uma senhora que estava para transpor a roleta percebendo o ato elogia o motorista e tece o comentário de que é difícil isso acontecer...
Ao chegar à porta a senhorinha põe o primeiro pé no degrau e olha para o motorista com o rosto cansado e o olhar vulpino...
No coletivo silêncio e sorrisos, esperando, claro, no mínimo, pelo agradecimento da parte da senhora.
Pasmem!
Olhando para o motorista ela profere o seguinte impropério: "_Ah não!, com negro eu não viajo!" E desce novamente.
Indignados os demais passageiros lhe dirigem todos os tipos de chingamentos, mas a infeliz nem lhes dá atenção.
O motorista, Roger, profissional competente e soberano em um gesto aparatoso simplesmente fecha a porta e segue viagem.
Indagado por sua reação ele só responde:
"_Pobrezinha, é digna de pena, deve ser por isso que esta nesta situação!"
ESTATUTO DO IDOSO- Lei 10741/03
LEI AFONSO ARINOS(preconceito racial)- Lei 1390/51

domingo, 28 de novembro de 2010

Trágico se não fosse cômico

A diversidade pode salvar de situações que em outras circunstâncias seriam embaraçosas.
Essa, um colega assumidamente homossexual, completamente discreto me contou e é digna de boas risadas...
Na função de cobrador devemos estar sempre atentos a tudo que se passa no interior do coletivo e também auxiliar o motorista no embarque e desembarque de passageiros, consequentemente olhamos o tempo todo em direção as portas e claro aos passageiros na linha de visão.
Pois bem.
Meu amigo conta que ao olhar para a porta traseira e passar o olhar por uma senhora que estava sentada dois assentos após a roleta esta profere a seguinte frase:
“_Quer fazer o favor de parar de olhar para ‘os peito’ da minha filha!”
Em primeira impressão ele nem deu atenção pois nem imaginava que fosse pra ele. Porém a senhora insiste e ainda aponta o dedo chamando-o de tarado. O colega pasmo, não se conteve:
“_A senhora falou comigo?”
“_Claro, seu tarado, tu não pára de olha pra minha filha..”
Ele continua:
“_Primeiro; se sua filha não quisesse que a senhora passasse por essa situação, dava-se o devido respeito e não andava deste jeito na rua... Segundo; não olhei pra sua filha porque ela não tá com essa ‘bola toda’ e nem me chamou a atenção... E terceiro; eu não olhei pra sua filha porque eu não gosto de mulher!!”
Diz ele que a senhora emudeceu, sua filha enrubesceu e os demais divertiram-se rindo da situação...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eu me apavoro!!...

Há pais completamente alheios ao siso moral e consequentemente incapazes de passar bons costumes e normas de conduta em sociedade a seus filhos, gerando muitas vezes constrangimentos a estes.
Outro dia um pai enoooooorme de gordo prensa sua filha de aproximadamente 10 anos na catraca para passarem juntos. Não me contive. Foi muito expontâneo. E acabei proferindo: _Prefere quase "matar" a criança a pagar duas tarifas...
E este me responde: "_E daí, a filha é minha!"
Na mesma linha estão aqueles que descuidados levantam as crianças como se fossem arremessar um peso em competição e batem com a cabeça delas no balaustre no teto do coletivo para passarem-as por cima da roleta.
Um colega me contou que em um final de tarde com o carro completamente lotado, subiu uma senhora junto com supostamente duas consanguineas de mais ou menos 10 e 12 anos respectivamente e entrega-lhe R$10,00, este desconta duas tarifas já supondo que as meninas passariam juntas a roleta no que surpreende-se com a indignação da senhora dizendo que as meninas passariam por baixo. O colega explica-lhe que seria impossível pela idade e tamanho das crianças e que não permitiria. Ainda irada a senhora se nega a passar a roleta e desce pela porta dianteira, e , claro no mesmo momento o colega registra na catraca as DUAS tarifas.
Ainda na questão bons costumes estão os pais que se negam ceder o assento a idosos e/ou outro passageiro necessitado alegando ter pago a tarifa do filho. Será que eles não pretendem chegar à velhice? E o pior: que educação terá essa criança?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esqueceram de mim

Os pais desatentos adoram me presentear com suas presepadas...
Dia quente. Carro lotado.
O motorista encosta o ônibus na parada, sobe uns, desce outros... No momento que dá partida novamente no coletivo, já com as portas fechadas ouve-se uma gritaria do lado de fora e uma senhora correndo atrás do ônibus;, Assustado, o motorista pára novamente e abre a porta dianteira e ela sobe esbaforida e começa a gritar:
“_Creiton! Creiton! Creiton!”
Neste momento olho para os passageiros e um menino de aproximadamente 8 anos, ferrado no sono, suando, de boca aberta é acordado por outra senhora batendo no vidro pelo lado de fora.
“_Creiton, tu não vai desce guri? Anda bocaberta!”
Quando o menino consegue descer a mãe tasca-lhe um cascudo e diz: “_Tu não viu que era nossa parada bocaberta?”
Quem seria mesmo “bocaberta”, a criança ou a mãe relapsa?
Outra vez estávamos no terminal bairro e depois que embarcou toda a fila e todos acomodaram-se uma senhora com cinco crianças de 3 a 11 aparentemente, começa a contar os filhos, isso mesmo, contar, um, dois, três, quatro, cinco, ..., um, dois, três, quatro, cinco, - fecha o cenho. Pausa. Grita: “_Cadê a Cláudia?”
Detalhe: Já havíamos saído do terminal e passado uma três paradas...
Ela continua gritando: “_Pára moço, pára!...Nós esquecemos a Cláudia... onde ela tava?... pára moço!nós vamo desce!!”
Oxalá tenham encontrado a Cláudia sã e salva...
Cuidando o desembarque na porta traseira. Quando não há mais ninguém pra descer aviso o motorista que feche a porta e continue. Pois bem, foi o que fiz após descer uma moça completamente despreocupada, tanto que segue caminhando tranquilamente. Quando o motorista arranca o carro, já com a porta fechada uma menininha grita: “_Mãe... mãe...” e já põe-se a chorar.
Após alguns segundos(que acredito que para uma criança esquecida seja uma eternidade)a mãe se lembra e olha para o ônibus e pega a menina que aos prantos descia os degraus da porta de saída.
E Macaulay Culkin achava ruim ser esquecido em Nova Yorque com todas as mordomias...

Idílio

Nosso cotidiano é tão rico de histórias, aprendizados, lições, basta estar atento a todos e todas as situações a volta.
Achei essa cena por demais interessante, na verdade, tocante, e a relato aqui...
Três idosos embarcaram no ônibus, um casal e uma amiga, identificam e sentam-se nos assentos dianteiros, as senhoras juntas em um lado do corredor e o senhor- Alfredo- no assento solitário em frente a porta dianteira.
Uma das senhoras, a esposa do seu Alfredo, pega uma bala na bolsa e oferece a amiga, logo após procura por outra dizendo saber que tem mais uma. O Sr. Alfredo está completamente alheio a cena e nem ouve as senhoras... Quando sua esposa abre a bala e vai pô-la na boca ele estende a mão e pede uma também, como não havia outra a senhora alcança a que tem na mão, ele pergunta se tem mais e se não houvesse que não precisava, porém ela fez questão que ele ficasse com a bala e que não havia oferecido devido sua diabetes. Por incrível que pareça era visível o desejo da senhora por aquela bala e mesmo assim abriu mão para dar ao esposo.
Pra alguns seria algo banal, sem importância. Pra mim não! Eu pude ver e sentir naquele gesto tão simples o verdadeiro amor...